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A Inglaterra é o verdadeiro país do futebol?!

A grama, impecável, é cortada a cada dois dias. Mas os jogadores treinam em outro campo. Ninguém pode pôr os pés ali quando não é dia de jogo oficial, fora o zelador. O estádio tem cadeiras para todos os espectadores, vestiários confortáveis, banheiras de hidromassagem e sala de fisioterapia para os jogadores. Você pode comprar seu ingresso pela internet e recebê-lo pelo correio, com lugar marcado e seu nome impresso. Há uma linha especial de ônibus para levar os torcedores, saindo da estação de trem da cidade. No dia do jogo, o clube põe à venda um programa com as escalações, entrevistas, informações detalhadas sobre o time adversário: história, estatísticas e análise de cada um dos jogadores. Não estamos falando de um grande time europeu. Mas do pequeno Oxford United, que disputa a Blue Square Premier. Traduzindo: a 5ª Divisão da Inglaterra.

Qualquer comparação com o Brasil pode soar leviana. Nosso PIB por habitante não dá nem um terço do da Grã-Bretanha (são US$ 9 500 contra US$ 35 500). Mas, se você pensar que existem 40 mil clubes na Inglaterra, contra 13 500 por aqui, e que a média de público da 2a Divisão deles é 50% maior que a do Campeonato Brasileiro da 1a, vê que o país do futebol é outro: uma nação em que o interesse pela bola é grande a ponto de os maiores jornais ingleses, como The Guardian, The Times e Daily Telegraph, publicarem os resultados até da 7a Divisão.

Não é à toa. O futebol está tão enraizado na cultura inglesa quanto o idioma que eles falam. A febre começou na Idade Média, bem antes de a esquadra de Cabral atracar por aqui. Em dias festivos, grupos de aldeões do país todo batiam-se contra outros tentando levar uma bexiga de boi cheia de ar até o fim do campo inimigo. Em 1863 a Football Association unificou a miríade de jogos regionais derivados desse tipo de brincadeira e o futebol foi adotado com imediato fervor pela classe operária, que, jogando ou assistindo, fez do futebol uma religião.

Essa história explica a força dos times locais. Toda cidadezinha tem seu clube, com seu estádio e seus torcedores fiéis. Fiéis mesmo: muitos times tiveram seus primeiros estádios erguidos graças a doações de torcedores. Também é normal ir a um jogo da 9a Divisão onde o bar do clube é administrado por torcedores que trabalham ali sem ganhar um tostão.

E, na falta de clube, até hoje pessoas se juntam e formam um. Foi o que fez o ex-jornalista esportivo Will Brooks. No ano passado, ele abriu um site, o MyfootballClub.co.uk e começou a coletar dinheiro para fundar um time Não um time dele, mas de todo mundo que doasse as 35 libras que ele pedia como aplicação. O clube funcionaria como uma grande cooperativa. Cada um dos sócios poderia votar tanto em questões administrativas como para decidir a escalação do time. Sim, sim, parece uma idéia de jerico. Mas funcionou. Em novembro de 2007 Brooks já tinha 20 mil “sócios” e comprou um clube que andava mal das pernas, o Ebbsfleet United, por 700 mil libras. E dentro de campo também deu certo: em maio deste ano o Ebbsfleet foi pela primeira vez a Wembley para disputar a final da FA Trophy – uma espécie de copa para times a partir da 5a Divisão. E ganhou.

Em 2005, um grupo de torcedores do Manchester United fez algo parecido: raivosos depois que um bilionário americano comprou seu time do coração, eles fundaram o FC United of Manchester, que começou disputando um campeonato regional e agora está na 7a Divisão, depois de ser promovido por 3 anos seguidos. O clube tem 3 mil membros, que tomam todas as decisões em votações democráticas: cada sócio tem direito a um voto. Mil deles já compraram cartões permanentes para assistir a todos os jogos da temporada 2008-9. Em 2010 eles vão começar a construir um estádio próprio. Tudo à base do esforço dos torcedores, sem patronos milionários. Mas, se por um lado a presença dos investidores estrangeiros faz gente como esses ex-torcedores virar a casaca, por outro ela transformou os times grandes da Inglaterra em potências. Veja o caso do próprio Manchester. Em 1990, a receita do clube foi equivalente a R$ 58 milhões. Em 2007, já tinha saltado para R$ 786 milhões – mais do que os 10 maiores clubes do Brasil, que somaram R$ 690 milhões no mesmo ano. Por essas, hoje 3 dos 5 times que mais faturam no mundo são ingleses. E a previsão é que, em 2009, eles sejam 10 entre os 20 mais ricos.

Mas nem tudo é festa: os ingressos são caros (até R$ 300) e quase impossíveis de encontrar à venda nas bilheterias para jogos dos 4 grandes - Arsenal, Chelsea Manchester e Liverpool. E desses o Arsenal é o único que ainda não pertence a um bilionário estrangeiro. É o preço a pagar pelo sucesso desse esporte na ilha onde a bola é mais redonda. No primeiro e ainda inigualável país do futebol.

fonte: Revista Superinteressante.

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11 comentários:

Pitti comentou:

se um dia o Brasil foi o pais do futebol
nos ultimos anos
ele fez tudo para perder esse titulo
e não é so pelos estadios o campo e os mimos para os jogadores e torcedores
http://agbcinderela.blogspot.com

17 de outubro de 2010 18:05
Karla Hack comentou:

A estrutura e o empenho são realmente incomparáveis!!!
Temos que dar este crédito a eles... de fato!

;D

17 de outubro de 2010 18:08
bia santos comentou:

Não tem nem comparação. O Brasil está há mil anos luz de atraso...

17 de outubro de 2010 18:08
Macaco Pipi comentou:

pode ser na estrutura...pq no futebol em si...

17 de outubro de 2010 18:09
Clube do Filme comentou:

Realmente, se falando de estrutura.. Mas a verdade é que o Brasil é o berço do futebol!!..

17 de outubro de 2010 18:11
David Martins comentou:

Estamos atrasados mais vamos chegar lá quem sabe

17 de outubro de 2010 18:14
Leila Bicalho comentou:

Pela paixão o Brasil é o páis do futebol .. mas pela máfia q rola ele tem perdio esse posto! =]

17 de outubro de 2010 18:15
Giovani Mattiollo comentou:

Ninguém pára o Grêmio! Sonho segue vivo graças a virada heróica sobre o líder
http://gremista-sangueazul.blogspot.com/
ACESSE E COMENTE!

17 de outubro de 2010 18:38
Í.ta** comentou:

cara, gostei pra cacete dessa matéria. muito inteligente tu a colocares aqui. vou fazer uso mais pra frente, e faço referência aqui pro teu blog, blz?

abração!

17 de outubro de 2010 22:47
Rodrigo Carvalho comentou:

Rapaz,posso reproduzir esta matéria no meu blog e colocar os créditos??

Adorei a matéria e foi até muito importante pois eu não sabia que na Inglaterra tinham tantos times assim e tantas divisões...

Se me autorizares,deixe um recado no Fale Conosco do meu blog,o Digão Futebol!

E,parabéns foi muito interessante o conteúdo.

Já sobre o assunto,penso que no Brasil só somos mais apaixonados e fanáticos,algo que mistura devoção e paixão pelo futebol,já no Reino Unido a estrutura,a seriedade com que é tratado o esporte,a organização,responsabilidade,lisura está muito,muito mesmo melhor que o Brasil,o que é uma pena,pois temos infinitos motivos para sermos o país do futebol em todas as suas vertentes,entretanto,a bagunça,corrupção,desorganização e violência está acima de qualquer ação ou projeto que venha pra organizar ou melhorar nosso sistema de futebol.

O ponto super positivo pra nós é que os torcedores são fiéis e tratam o time do coração como religião>trocam de mulher,de família,de carro,de sexo(rsrsrs-brincadeirinha),..,mas não trocam de time!


Rodrigo
Blog Digão Futebol

www.digaofutebol.blogspot.com

19 de outubro de 2010 22:19
matheus comentou:

MUITOS TIMES QUE SÃO CONSIDERADOS GRANDES NO BRASIL NÃO CHEGAM AOS PÉS DE TIMES CONSIDERADOS PEQUENOS DA SEGUNDONA INGLESA, ESSA É A VERDADE!

8 de novembro de 2010 18:41

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